segunda-feira, 10 de setembro de 2018

A prepotência é de tal forma naïf que denuncia a fragilidade das suas certezas, desvendando a natureza da sua sensualidade – que tenta esconder ao mesmo tempo que morde os lábios, carnudos.

Cada passo é medido e contido, com uma tal força centrífuga que inunda os poros mais sensíveis. Com essa energia, que me esmaga e intimida. Porque não tenho resposta para ela, nem quero ter. Quero estar ali, tão perto, que a possa sentir, sem de modo algum interferir.

As palavras, na sua presença, escorregam cá para fora, sem filtro, desadequadas, e aquelas que fazem sentido, deixo de as dizer. É que sei (ou quero) que me entende/a sem ter de as usar.

No meu peito soa o bater do seu coração. Pergunta-me como sei eu isso, porém sabe que não lhe sei responder, mas digo-lhe: é tão doce e forte que me distraio, mergulho no seu ritmo, deixo-me levar pelo que me conta, e torna-se tão difícil prestar atenção ao que (a sua persona) me tenta dizer. Disso não quero saber – está demasiado preocupada em me fazer entender aquilo que fala de si própria, numa construção que tanto tem de bela e artística como de triste e descabida, onde habita o anseio de preencher um espaço que imagina vazio. É tão rico que o invejo, só porque não existe outro verbo que explique o quanto admiro todo esse valor que exibe, no qual não crê.

domingo, 12 de abril de 2015

Não conseguia entender a grandeza que ela via nos seus olhos, e sentia na sua carne, ao aproximar-se. Pelo contrário, considerava-se pequeno comparando-se aos seus muitos outros amigos e amantes. Desconhecia por completo o motivo pelo qual conseguia exercer tanto poder sobre ela, não lhe fazia sentido algum - já lhe confessara.
Escondia segredos sobre a sua vida mundana não só por desconfiança mas igualmente por receio de se tornar transparente e desinteressante, pensara ela.
Outra dúvida mantém-se, julgo que em ambos - como seria se não tivessem tido medo de se desvendar?

domingo, 24 de fevereiro de 2013

El informe de "MC"

Me gusta su espontaneidad. Una espontaneidad llena de seguridad, sin remordimiento. Muy practica y eficaz en todas las tareas que se fija. Aunque sea curiosa e inteligente, su impaciencia no la deja profundizar algunos conceptos importantes, pero los aprehende con su intuición perspicaz. 

Su risa es de una niña que se diverte con todo lo que la podría molestar. Se enfada con la injusticia de la gente o con los que no saben desarrollar soluciones. Se aburre facilmente.

La mentira no pasa impune frente a sus ojos grandes - los mismos que provocan la admiración de los demás.

Es feliz cantando y se pone feliz quien la escucha!

(no porque me lo has pedido, ni por tu cumpleaños, sí porque eres especial!)

* perdona a mi "portuñol"!

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Como me lembro de ti


Com uma expressão verbal que pode imitar a altivez, os seus olhos, emotivos e próximos, desmentem qualquer semelhança. Enquanto descarrega um repertório improvisado de frases inteligentes e humorísticas, é no humedecer dos lábios e timbale da voz que prendo os meus sentidos. Os adjetivos fáceis que utilizaria: sensual… e não me ocorre mais nenhum (fácil). No entanto, não é esse o motivo que me faz guardar-te na caixinha dos inesquecíveis. Essa atração já existiu mas expirou. A “atração” atual permanece sem razão aparente.

Parece-me difícil descrever-te num retrato robot, fosse em desenho ou por palavras. É no teu movimento que te defines e nessa coisa que chamam de alma, porque a tua transborda e é quase palpável.

A nossa amizade, essa é indescritível. Não por padecer de intensidade. Pela intermitência sempre presente, pelo ritmo imprevisto mas resistente.

domingo, 16 de setembro de 2012

"Menino levado"

Puxo-te da nuvem onde te encontravas a sonhar antes de chamar pelo teu nome: .....! "Menino levado", expressão que conheci através de ti e que te assenta na perfeição. Nestas duas palavras incluo outras que lá cabem: inconstante, imprevisto, aos pulos pelos caminhos mais curtos, sorrindo com a maldade infantil de uma criança - sem a intenção de causar verdadeiro sofrimento alheio.

Tão sensível que pode manter o abraço (largo e confortante) durante horas, se não lhe for pedido, como pode fugir a qualquer solicitação que o sufoque. 

Íris de fogo, procura perceber todos os estímulos que por ela passam. A análise não é rigorosa, é tirada como uma fotografia polaroid que capta a essência das cores e das formas. Desconfiado, não quer acreditar que o bem é real, prefere imaginar que pertence a um futuro que não faz acontecer.

O presente é para ele feito de satisfação, se não a consegue, tudo perde o sentido. Tapa os ouvidos e começa a cantalorar, como aquele menino a quem tentam explicar que nem tudo é fácil... Menino levado!

domingo, 2 de setembro de 2012

Como te conheço


Boca cerrada. Algumas rugas de expressão perfazem a identidade do rosto. Pintalgada de sardas de que não admira, o motivo do deslumbre alheio aparece sob atrevidas maças do rosto. São os seus olhos abertos, de grande dimensão e inquietude. As pestanas longas prendem a atenção na magnitude do olhar. Para além de inquieto, é insatisfeito. Procura, vê, tira conclusões rápidas e precipitadas. Manter o contacto ocular sereno durante qualquer diálogo com ela, é tarefa árdua.

A cabeleira densa é indomável e revela a sua rebeldia e alguma revolta. Seria a sua face que emoldurava para a descrever. O corpo, estranhamente desproporcional, não lhe tira a beleza, complementa-a. A cintura esguia e ombros frágeis desenham a sua silhueta com elegância, apesar dos sólidos membros inferiores proeminentes.

Há um brilho que a envolve, sem origem conhecida. Virá da prontidão com que procura a vida ou do sorriso traquina que a denuncia?