segunda-feira, 10 de setembro de 2018

A prepotência é de tal forma naïf que denuncia a fragilidade das suas certezas, desvendando a natureza da sua sensualidade – que tenta esconder ao mesmo tempo que morde os lábios, carnudos.

Cada passo é medido e contido, com uma tal força centrífuga que inunda os poros mais sensíveis. Com essa energia, que me esmaga e intimida. Porque não tenho resposta para ela, nem quero ter. Quero estar ali, tão perto, que a possa sentir, sem de modo algum interferir.

As palavras, na sua presença, escorregam cá para fora, sem filtro, desadequadas, e aquelas que fazem sentido, deixo de as dizer. É que sei (ou quero) que me entende/a sem ter de as usar.

No meu peito soa o bater do seu coração. Pergunta-me como sei eu isso, porém sabe que não lhe sei responder, mas digo-lhe: é tão doce e forte que me distraio, mergulho no seu ritmo, deixo-me levar pelo que me conta, e torna-se tão difícil prestar atenção ao que (a sua persona) me tenta dizer. Disso não quero saber – está demasiado preocupada em me fazer entender aquilo que fala de si própria, numa construção que tanto tem de bela e artística como de triste e descabida, onde habita o anseio de preencher um espaço que imagina vazio. É tão rico que o invejo, só porque não existe outro verbo que explique o quanto admiro todo esse valor que exibe, no qual não crê.