terça-feira, 13 de novembro de 2012

Como me lembro de ti


Com uma expressão verbal que pode imitar a altivez, os seus olhos, emotivos e próximos, desmentem qualquer semelhança. Enquanto descarrega um repertório improvisado de frases inteligentes e humorísticas, é no humedecer dos lábios e timbale da voz que prendo os meus sentidos. Os adjetivos fáceis que utilizaria: sensual… e não me ocorre mais nenhum (fácil). No entanto, não é esse o motivo que me faz guardar-te na caixinha dos inesquecíveis. Essa atração já existiu mas expirou. A “atração” atual permanece sem razão aparente.

Parece-me difícil descrever-te num retrato robot, fosse em desenho ou por palavras. É no teu movimento que te defines e nessa coisa que chamam de alma, porque a tua transborda e é quase palpável.

A nossa amizade, essa é indescritível. Não por padecer de intensidade. Pela intermitência sempre presente, pelo ritmo imprevisto mas resistente.

domingo, 16 de setembro de 2012

"Menino levado"

Puxo-te da nuvem onde te encontravas a sonhar antes de chamar pelo teu nome: .....! "Menino levado", expressão que conheci através de ti e que te assenta na perfeição. Nestas duas palavras incluo outras que lá cabem: inconstante, imprevisto, aos pulos pelos caminhos mais curtos, sorrindo com a maldade infantil de uma criança - sem a intenção de causar verdadeiro sofrimento alheio.

Tão sensível que pode manter o abraço (largo e confortante) durante horas, se não lhe for pedido, como pode fugir a qualquer solicitação que o sufoque. 

Íris de fogo, procura perceber todos os estímulos que por ela passam. A análise não é rigorosa, é tirada como uma fotografia polaroid que capta a essência das cores e das formas. Desconfiado, não quer acreditar que o bem é real, prefere imaginar que pertence a um futuro que não faz acontecer.

O presente é para ele feito de satisfação, se não a consegue, tudo perde o sentido. Tapa os ouvidos e começa a cantalorar, como aquele menino a quem tentam explicar que nem tudo é fácil... Menino levado!

domingo, 2 de setembro de 2012

Como te conheço


Boca cerrada. Algumas rugas de expressão perfazem a identidade do rosto. Pintalgada de sardas de que não admira, o motivo do deslumbre alheio aparece sob atrevidas maças do rosto. São os seus olhos abertos, de grande dimensão e inquietude. As pestanas longas prendem a atenção na magnitude do olhar. Para além de inquieto, é insatisfeito. Procura, vê, tira conclusões rápidas e precipitadas. Manter o contacto ocular sereno durante qualquer diálogo com ela, é tarefa árdua.

A cabeleira densa é indomável e revela a sua rebeldia e alguma revolta. Seria a sua face que emoldurava para a descrever. O corpo, estranhamente desproporcional, não lhe tira a beleza, complementa-a. A cintura esguia e ombros frágeis desenham a sua silhueta com elegância, apesar dos sólidos membros inferiores proeminentes.

Há um brilho que a envolve, sem origem conhecida. Virá da prontidão com que procura a vida ou do sorriso traquina que a denuncia?